Cientistas descobrem “migrações”, um atalho viral que potencializa a infecção
A eficiência com que os vírus se movem entre as células desempenha um papel importante no quão perigosa uma infecção se torna. Em um estudo publicado em Boletim Científicocientistas do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Pequim e do Instituto de Pesquisa Veterinária de Harbin descobriram uma rota até então desconhecida que ajuda os vírus a se espalharem de forma mais rápida e agressiva.
A equipe descobriu que nas células infectadas com o vírus da estomatite vesicular (VSV), o material genético viral e as proteínas são ativamente compactados em migrassomas. Migrassomas são estruturas celulares recentemente identificadas que se formam especificamente quando as células estão em movimento. Isto significa que os componentes virais não são apenas libertados aleatoriamente, mas são deliberadamente carregados em estruturas ligadas à migração celular.
Migrions formam pacotes semelhantes a vírus dentro de células em movimento
Alguns migrassomas continham ácidos nucleicos virais em seu interior enquanto exibiam a proteína de superfície VSV VSV-G em sua membrana externa. Os pesquisadores chamaram essas grandes estruturas semelhantes a vírus de “Migrions”. Ao contrário das partículas flutuantes de VSV, os Migrions representam uma forma distinta de transporte viral criada a partir de componentes virais e celulares.
Quando os vírus se espalham através de Migrions, em vez de partículas individuais, eles se replicam mais rapidamente dentro das células recém-infectadas. Este crescimento mais rápido acontece porque os Migrions entregam múltiplas cópias do genoma viral ao mesmo tempo, permitindo que a replicação comece imediatamente e em paralelo.
Um caminho de transmissão mais rápido e flexível
O estudo também revelou que os Migrions podem transportar mais de um tipo de vírus ao mesmo tempo. Esta capacidade de co-transmitir vírus diferentes diferencia o Migrions da propagação viral tradicional baseada em vesículas extracelulares (EV), que segue um mecanismo diferente.
Assim que os Migrions alcançam uma nova célula, eles entram por endocitose sem depender de receptores específicos da superfície celular. Dentro da célula, condições ácidas ativam o VSV-G na superfície do Migrion, desencadeando a fusão com os endossomos. Essa fusão libera o conteúdo viral, uma etapa crítica que permite o início da replicação.
Modelos animais mostram doenças mais graves
Experimentos em ratos mostraram que as migrações são muito mais infecciosas do que partículas virais livres. Os animais expostos à infecção mediada por Migrion desenvolveram doenças muito mais graves, incluindo infecções pulmonares e cerebrais graves. Estas infecções foram marcadas por encefalite e frequentemente resultaram em morte, destacando o aumento do potencial patogénico desta via de transmissão.
Repensando como os vírus se movem pelo corpo
O pesquisador propôs que o “Migrion”, descrito como uma estrutura quimérica formada entre o vírus e o migrassoma, representa um modelo inteiramente novo de transmissão viral entre células. Ao ligar diretamente a propagação viral ao movimento celular, este mecanismo desafia suposições de longa data sobre como as infecções se propagam.
Em vez de se espalharem apenas através da libertação passiva nos tecidos circundantes, os vírus podem explorar a maquinaria migratória do próprio corpo para se moverem de forma eficiente e sistémica. Esta estratégia dependente da migração oferece uma nova perspectiva sobre a disseminação viral e pode ajudar a explicar como certas infecções aumentam tão rapidamente.
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