As plantas não conseguem absorver tanto CO2 quanto os modelos climáticos previam
Altos níveis de dióxido de carbono na atmosfera são um dos principais impulsionadores das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, aumentou o CO2 pode encorajar as plantas a crescerem mais rapidamente, permitindo-lhes absorver mais carbono e potencialmente retardar o aquecimento. Esse benefício, no entanto, depende de as plantas terem acesso a nitrogênio suficiente, um nutriente essencial para o crescimento. Só recentemente os cientistas observaram mais de perto a quantidade de nitrogênio realmente disponível na natureza. Nova pesquisa envolvendo a Universidade de Graz mostra que o chamado CO2 efeito da fertilização foi significativamente exagerado.
As plantas não podem usar nitrogênio por conta própria. O nutriente deve primeiro ser convertido em uma forma utilizável por meio de um processo denominado fixação de nitrogênio, que depende de microrganismos do solo. Este processo ocorre em ecossistemas naturais, bem como em terras agrícolas. “Embora este processo tenha sido significativamente sobrestimado na natureza, aumentou 75% nos últimos 20 anos devido à agricultura”, diz Bettina Weber, bióloga da Universidade de Graz, resumindo as conclusões de um estudo publicado no início deste ano.
Com base nesses resultados, uma nova análise mostra que a forma como a fixação de nitrogênio é calculada em alguns modelos do Sistema Terrestre foi agora reavaliada. Estes modelos são amplamente utilizados para projetar tendências climáticas e informar avaliações importantes, incluindo o Relatório Mundial sobre o Clima. As descobertas atualizadas foram publicadas na revista científica PNAS.
Novas descobertas levam a revisões do modelo climático
O estudo foi liderado por Sian Kou-Giesbrecht, da Universidade Simon Fraser, em Burnaby, Canadá. O trabalho foi realizado por um grupo de pesquisa internacional focado na fixação biológica de nitrogênio, que inclui Bettina Weber. Este grupo de trabalho recebe apoio do Centro de Análise e Síntese John Wesley Powell do US Geological Survey (USGS).
“Comparamos diferentes modelos do Sistema Terrestre com os valores atuais de fixação de nitrogênio e descobrimos que eles superestimam a taxa de fixação de nitrogênio em superfícies naturais em cerca de 50%”, explica Weber. Como as plantas dependem deste processo para aceder ao azoto, a sobrestimação tem consequências significativas. De acordo com o estudo, resulta numa redução global de cerca de 11 por cento no CO projetado2 efeito de fertilização.
Por que a atualização de modelos é crítica
Weber enfatiza a importância de ajustar os modelos climáticos para reflectir estas medições actualizadas. “Isso ocorre porque gases como óxidos de nitrogênio e óxido nitroso são produzidos como parte do ciclo do nitrogênio. Eles podem ser liberados na atmosfera por meio de processos de conversão e alterar ou perturbar os processos climáticos”. A contabilização precisa da dinâmica do nitrogênio, diz ela, é essencial para fazer previsões confiáveis sobre como os ecossistemas e o clima responderão no futuro.
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